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As pragas agrícolas podem fazer bastante estrago. Aqui no Rio Grande do Sul, uma criatura que merece atenção é o percevejo-verde, capaz de danificar principalmente as lavouras de soja. Outros insetos da mesma família também atacam o milho e demais culturas.

O artigo de hoje explica quais são os prejuízos causados por esses parasitas. Veja como identificá-los e, claro, como evitar problemas na sua produção.

Danos causados pelo percevejo-verde na soja

O alvo principal dos percevejos são as vagens da soja. O bicho usa seus estiletes para perfurar essa área e buscar alimento. No processo, acaba liberando toxinas que prejudicam o crescimento vegetal. Além disso, o orifício de penetração pode servir de entrada a fungos e bactérias.

As consequências são terríveis: perda de massa, redução do poder germinativo e até retenção foliar, um fenômeno que retarda o tempo de maturação da planta (é a popular “soja louca”). Tudo isso reduz a qualidade e a quantidade do produto cultivado.

Os grãos atingidos pelo percevejo-verde da soja costumam ficar menores, enrugados, e às vezes apresentam uma coloração mais escura. Isso é decorrente da presença de microrganismos nocivos, causadores de doenças agrícolas.

Vale dizer que a intensidade dos prejuízos depende de diversos fatores, como a temperatura ambiente e o volume de insetos alojados na lavoura. O ciclo de reprodução dos percevejos fica mais intenso em clima quente, por exemplo.

A espécie invasora é outro ponto que os produtores devem observar com atenção. Algumas pragas são mais destrutivas que outras. Desse modo, é importante aprender a reconhecer cada uma delas para saber qual será o nível de perigo enfrentado.

Saiba mais: Como evitar as pragas de grãos armazenados

Diferenças entre as espécies de percevejo da soja

Embora existam muitos animais parecidos na natureza, você deve se preocupar com os percevejos sugadores de sementes. No cultivo da soja, são três as espécies mais aterrorizantes. A saber:

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

Esse é, sem dúvida, o bicho mais destrutivo, pois penetra o grão em grande profundidade. Estima-se que um único exemplar de P. guildinii possa comprometer 0,21g de soja por dia. Agora multiplique a perda por centenas de milhares de percevejos e imagine o tamanho do estrago!

Os ovos são pretos e em formato de barril. Eles ficam dispostos em fileiras, geralmente nas vagens, mas também podendo aparecer no caule, nos ramos e nas folhas da planta.

Quando eclodem, as ninfas medem 1mm e têm uma cor escura avermelhada. Conforme crescem, vão adquirindo outros tons, até que o inseto adulto fica verde com uma mancha marrom-avermelhada perto da cabeça.

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) – Crédito: Reprodução/Embrapa

Percevejo-verde (Nezara viridula)

Uma única maria-fedida, como o bicho é conhecido, pode danificar 0,16g de soja por dia. O risco aumenta em áreas de produção de sementes, já que o ataque nas fases iniciais de produção tem potencial para abortamento. Em outras palavras, o grão não vinga.

Para identificar esse percevejo-verde da soja, preste atenção às manchinhas brancas na borda do escutelo (o dorso do inseto). O bicho adulto é verde mesmo, como o nome indica. Já os ovos são amarelados. Eles ficam laranja ou rosados à medida que chega o momento da eclosão. Em seguida, nascem ninfas pretas que vão se tornando esverdeadas até a fase adulta.

Percevejo-verde (Nezara viridula)

Percevejo-verde (Nezara viridula) – crédito Reprodução/Embrapa

Percevejo marrom (Euschistus heros)

A capacidade destrutiva do percevejo marrom é mais discreta: 0,08g do grão por dia. Ainda assim, nunca menospreze um ataque dessa praga! Calcula-se que uma infestação comprometa até 40% da lavoura.

Durante o inverno, a espécie encontra abrigo nas palhadas ou na mata. Porém, assim que a temperatura sobe, a reprodução recomeça com força.

A fêmea deposita fileiras de ovos amarelados. Dali saem ninfas amarronzadas que crescem e se tornam insetos adultos também marrons, medindo cerca de 11mm.

Para outras informações técnicas, sugerimos a leitura deste artigo da Embrapa Soja. Os autores compilam estudos detalhados sobre as principais espécies de percevejos, mostrando como elas afetam a qualidade da produção da oleaginosa no Brasil. Clique no link e confira!

Percevejo marrom (Euschistus heros)

Percevejo marrom (Euschistus heros) – crédito Reprodução/Embrapa

Problemas com o percevejo barriga-verde no milho

Quem cultiva milho, trigo e outros grãos tem o desafio de lidar com o percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus). Ele tem face dorsal marrom e ventre verde, daí a nomenclatura. A presença dessa espécie já foi identificada em campos de soja, mas não de forma tão proeminente.

O bicho introduz os estiletes na base do vegetal, e então atinge as folhas internas. Se você notar perfurações simétricas naquela região, com um halo amarelado ao redor, é sinal de que houve invasão.

O percevejo barriga-verde pode aparecer desde o plantio e comprometer o estabelecimento inicial da planta. Sem controle da praga, a perda chega a 100%. Isso mesmo: toda a safra de grãos fica prejudicada.

Percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus)

Percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus) – crédito Reprodução/Embrapa

Saiba mais: Pragas causam quebra na produção de milho

Manejo do percevejo-verde e das demais espécies nas lavouras

Até aqui vimos como os percevejos são nocivos. Resta saber quais são as práticas indicadas para o manejo dessa praga. Vamos a elas?

O primeiro método que você deve empregar é o bom e velho pano de batida. Esse tecido ajuda a monitorar a quantidade de insetos presentes no local. Se houver pelo menos um percevejo por metro quadrado, já é motivo de alerta. Essa recomendação vale tanto para adultos quanto para ninfas em estágio avançado de maturação.

Outra dica é remover dos arredores da lavoura as plantas daninhas hospedeiras. Elas servem de abrigo para insetos, o que favorece a sobrevivência das pragas nos períodos de entressafra.

Agora, caso a infestação já tenha se alastrado, recorre-se ao uso de defensivos agrícolas. Existem produtos específicos para cada espécie, por isso é essencial identificar o tipo de percevejo invasor antes de adquirir o material. Assim, as chances de sucesso são maiores.

Lembre-se: pragas podem atingir a produção agrícola desde o plantio até a estocagem. Para evitar prejuízos nas etapas finais, sugerimos o serviço de expurgo de grãos. O procedimento utiliza recirculação de gás fosfina para proteger a massa armazenada sem comprometer a qualidade desses insumos.

Quer saber mais? Entre em contato com a Desinservice e solicite um orçamento! Fones: (55) 3028-6888 / (51) 3723-1502. Whatsapp: (55) 99905-3373. Atendemos em todo o Rio Grande do Sul.

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