A poluição ameaça os recursos hídricos do mundo inteiro e, no Brasil, não é diferente. Por isso, é importante observar a qualidade da água destinada ao consumo humano.
Neste post vamos explicar quais são os parâmetros de análise que determinam se o líquido é potável. Também falaremos dos tratamentos necessários para garantir a segurança sanitária na sua casa ou no seu negócio. Fique conosco!
Importância da análise de qualidade da água
Monitorar a qualidade da água é um cuidado primordial. Sem esse esforço, fica impossível afirmar se o líquido é seguro para o consumo.
Isso porque bactérias, protozoários e outros parasitas são invisíveis ao olho humano. Desse modo, mesmo que os microrganismos estejam presentes em fontes subterrâneas e superficiais de captação, você não conseguirá percebê-los.
Além do mais, infelizmente há indústrias e empresas que não seguem as determinações do Conama. Ou seja: elas liberam efluentes na rede de esgoto sem qualquer monitoramento. Isso aumenta a concentração de metais pesados, gorduras e demais resíduos tóxicos nos rios, o que se torna uma ameaça à saúde coletiva.
Aliás, esses danos são não só à saúde, como também às finanças públicas. Quanto mais poluentes são jogados na natureza, mais caro sai para tratar a água e esse maior custo vai pesar no bolso da população.
O que define a qualidade da água
Água potável é aquela que qualquer pessoa pode consumir sem pôr em risco a própria saúde. Afinal, não há presença de sujidades nem de agentes contaminantes, como metais pesados ou microrganismos causadores de doenças.
Talvez você tenha aprendido ainda na escola que essa qualidade é medida a partir de algumas características físicas. Muitos dizem que o líquido deve ser inodoro, incolor e insípido – o que significa que não tem cheiro, nem cor, nem gosto.
Só que não é bem assim. Na prática, até mesmo a água tratada pode ter sabor. Alguns elementos químicos inofensivos à saúde humana conferem gosto de terra ou metal, por exemplo.
Uma reportagem de GZH explica o processo de degustação realizado semanalmente por técnicos do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre. O chamado painel sensorial serve para verificar a qualidade da água que chega às torneiras da capital gaúcha. Segundo os profissionais, perceber sabores sutis é normal.
Já em um estudo mais recente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que também utiliza um grupo de degustadores da água, foi constatado que devido às características específicas de cada fonte de água, ela acaba trazendo diferenças em suas propriedades. São características quase imperceptíveis para bocas e narizes não treinados, mas essas sensações são notadas pelos degustadores profissionais, conforme matéria do Diário do Litoral.
Como testar se a água é potável
Existem algumas formas de testar se a água é potável. Para ver se a água está com algum problema, foque na transparência e se não tem cor anormal (amarelada, ferruginosa, esbranquiçada), assim como a presença de partículas e espuma persistente. Esses podem ser indícios de que a água está com problema. Outros fatores que ajudam a perceber a qualidade (ou ausência dela): gosto metálico, sabor salgado incomum, assim como gosto de ferrugem ou químico.
Então, numa medida emergencial e numa situação que demanda um uso instantâneo, você pode ferver por 1 minuto (3 minutos em altitude elevada) que a maioria dos microrganismos será eliminado. Mas lembre-se: isso não vai remover metais pesados, nem agrotóxicos ou solventes industriais.
Por isso, tenha em mente: o mais indicado, seguro e confiável – sempre, em qualquer hipótese – é fazer exames laboratoriais, que conseguem identificar contaminantes invisíveis, químicos e microbiológicos que nenhum teste caseiro detecta com precisão.
Leia também: O que são emergências ambientais e como lidar com elas
Como é avaliada a qualidade da água do abastecimento público
O que realmente define a potabilidade são elementos imperceptíveis a olho nu. Por isso, o Brasil adota o Índice de Qualidade das Águas (IQA), uma série de indicadores úteis para atestar a segurança sanitária do líquido que você bebe.
As avaliações incluem, entre outros, parâmetros como:
- A quantidade de oxigênio dissolvido, essencial para a preservação da vida aquática;
- A presença de coliformes termotolerantes – uma grande quantidade dessas bactérias pode indicar a existência de microrganismos causadores de doenças;
- O potencial hidrogeniônico (pH), que mede o nível de acidez ou alcalinidade;
- A turbidez (falta de transparência) da água;
- A quantidade de resíduos totais que permanecem no local após a evaporação.
Esses parâmetros têm pesos diferentes na análise de qualidade da água. A soma dos pontos resulta numa nota que vai de 0 a 100.
Como é a qualidade da água no Brasil?
A pontuação final do IQA é classificada em faixas, que variam entre os estados do Brasil. Para você ter uma ideia, as autoridades gaúchas consideram “ótima” a água que atinge entre 91 e 100 pontos. Já estados como São Paulo, Goiás e Pernambuco permitem que amostras acima de 80 pontos entrem nessa mesma categoria.
Veja, abaixo, quais são as faixas de IQA utilizadas no Rio Grande do Sul:
- Ótima: 91-100 pontos;
- Boa: 71-90 pontos;
- Razoável: 51-70 pontos;
- Ruim: 26-50 pontos;
- Péssima: 0-25 pontos.
O que diz a nossa legislação
A Portaria de Consolidação Nº 5, do Ministério da Saúde, determina que o controle e a vigilância da qualidade da água para consumo humano são de responsabilidade coletiva. A União, os estados e os municípios devem desenvolver e executar ações relativas ao tema, levando em conta as particularidades de cada região.
As companhias de abastecimento também têm um papel importante. Uma de suas incumbências é coletar água em diversos pontos de amostragem para conduzir análises laboratoriais. Então, verifica-se se o líquido tratado atende aos seguintes critérios de potabilidade:
- Ausência da bactéria Escherichia coli;
- Ausência de coliformes totais na saída do tratamento;
- Nível tolerável de coliformes totais no sistema de distribuição (reservatórios e rede). A quantidade de partículas permitida varia de acordo com o número de habitantes da cidade, podendo aparecer em no máximo 5% das amostras.
Por fim, as empresas precisam respeitar normas para manter os mananciais limpos. Isso significa tratar os efluentes tóxicos, como esgoto, óleos, graxa e materiais sedimentares. A Resolução 430, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), traz as diretrizes para a gestão correta desses agentes poluidores.
Veja também: ETE e ETA – Por que limpar as estações de tratamento
Quem faz a avaliação da qualidade da água?
Seja para abastecimento público ou para análise da qualidade da água de rios ou poços, a avaliação é feita por diferentes entidades, a depender do contexto. No Brasil, diferentes órgãos públicos fazem esse trabalho. São:
- Vigilância Sanitária (municipal e estadual), que monitora água destinada ao consumo humano, avaliando parâmetros como coliformes, turbidez, cloro residual, metais, etc.
- ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), que avalia a qualidade dos rios, reservatórios e mananciais (rede hidrometeorológica).
- IBAMA, que fiscaliza os impactos ambientais que podem ser causados por empresas e atividades poluidoras;
- Secretarias Estaduais de Meio Ambiente, que têm redes próprias de monitoramento da qualidade da água em rios e lagos.
Além disso, esse trabalho também pode ser feito por empresas de abastecimento de água, como a Corsan, por exemplo, ou até mesmo laboratórios privados e instituições de ensino, como as universidades e centros de pesquisa, que analisam a qualidade da água literalmente como se fosse um “exame”.
Como são os exames de qualidade da água
A avaliação da água envolve coletas cuidadosas, análises laboratoriais e interpretação técnica de parâmetros que indicam se a água é potável, segura para uso ou adequada ao meio ambiente.
Os principais exames envolvem:
- Análises físico-químicas: geralmente medem as propriedades físicas e químicas da água, como parâmetros de pH, turbidez, cloro residual, dureza, metais pesados e nitratos;
- Análises microbiológicas: detectam a presença de microrganismos patogênicos que podem causar doenças de veiculação hídrica. Fazem análise de uma possível presença de bactérias como E. coli e compostos orgânicos (pesticidas). Além disso, as análises microbiológicas servem para detectar a presença de contaminação geral como coliformes termotolerantes, que são um grupo de bactérias, incluindo principalmente a Escherichia coli (que indica contaminação por fezes humanas ou de animais).
Como melhorar a qualidade da água
Existem métodos que podem ajudar a melhorar a qualidade da água, mas eles vão depender do contexto e do reservatório onde ela está:
Instalação de filtros de água
Um exemplo são os tipos de filtros de água que você pode instalar, já que eles removem impurezas físicas, químicas e microbiológicas. Os aparelhos purificadores usam carvão ativado, que atua como uma esponja e são os mais recomendados para a sua casa. Dessa forma, conseguem remover níveis significativos de compostos orgânicos. O resultado é uma água mais clara, de sabor suave e sem odores desagradáveis.
Cloração de poços
Os poços artesianos não passam pelo mesmo tratamento que as redes municipais de abastecimento. Então, a cloração de poços é um processo fundamental para garantir que a água fique potável, tornando-a segura para o consumo humano.
O cloro é adicionado à água para eliminar microrganismos patogênicos, como bactérias e vírus, que podem causar doenças. Inclusive, alguns sistemas automatizados liberam cloro na quantidade exata para o volume de água de cada local.
Higienização de reservatórios
Os reservatórios (caixas d’água) devem ser limpos a cada 6 meses. Isso inclui o esvaziamento deles, a escovação e a desinfecção parcial. Após esse processo, eles precisam ser vedados. Esse processo é fundamental para evitar contaminação.
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