Seja pela diversidade climática, seja pela fertilidade dos solos, o Rio Grande do Sul possui uma produção agrícola variada quando comparado a outros estados brasileiros. Culturas como arroz, soja, milho e trigo são produtos agrícolas do Rio Grande do Sul que fazem parte da base da economia gaúcha, movimentando cadeias produtivas, gerando empregos e contribuindo de forma significativa para o abastecimento interno e para exportações.
No entanto, para manter bons resultados e garantir a sustentabilidade das lavouras, os produtores precisam adotar cuidados constantes com o manejo agrícola, especialmente no controle de pragas e doenças. Insetos, fungos e plantas invasoras podem comprometer seriamente a produção se não forem monitorados e controlados corretamente.
A seguir, aprofundamos a análise em algumas das principais culturas do estado, destacando sua relevância econômica, nutricional e os cuidados necessários para garantir produtividade e qualidade ao longo de toda a cadeia.
A força da agricultura no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul sempre foi forte quando o assunto é agricultura. Isso é característico e esse setor é um dos pilares do desenvolvimento econômico do estado, até porque o leque de produtos que alavancam as exportações brasileiras conta com itens que são comuns na safra gaúcha, como arroz, soja, trigo e milho.
Com clima favorável, solos férteis e forte tradição no campo, o território gaúcho se destaca pela alta produtividade, pela adoção de tecnologias modernas e pela diversidade de culturas cultivadas ao longo do ano.
Do pequeno produtor à grande propriedade rural, o setor agrícola movimenta cadeias inteiras da economia, gerando emprego, renda e impulsionando exportações que levam o nome do estado para o mercado nacional e internacional. Tanto que os últimos dados apontados pelo setor de Economia do Rio Grande do Sul apontam que o agronegócio é responsável por cerca de 40% do PIB do estado.
Essa força produtiva transforma o Rio Grande do Sul em uma verdadeira potência agrícola, com protagonismo especialmente nos grãos e alimentos que abastecem milhões de pessoas, já que é o maior produtor de arroz do Brasil, responsável por 70% da produção nacional.
Além disso, o RS é protagonista na produção de pelo menos seis itens da cesta básica: arroz, trigo, aveia, batata, mandioca e maçã.
Soja: a principal commodity
Cultivada há milênios, especialmente em países asiáticos, a soja se destaca pelo alto valor nutricional. É rica em proteínas e contém minerais como ferro, cálcio, zinco e potássio, além de vitamina E. Esses nutrientes contribuem para o funcionamento adequado do organismo e para dietas mais equilibradas.
A soja também é fundamental para a produção de carnes. Seu alto teor proteico faz dela um dos principais componentes das rações animais, especialmente para bovinos, suínos e aves. Segundo estudo publicado pela Embrapa, cerca de 39% da produção da lavoura resulta em grãos, enquanto o restante se transforma em palhada, com potencial para alimentação de ruminantes.
A soja ocupa posição central na agricultura gaúcha e brasileira. E quando trazemos essa produção para a realidade do Rio Grande do Sul, entendemos ainda mais sua relevância. Sendo a principal commodity do estado, é um pilar central para o PIB, a balança comercial e a agricultura familiar gaúcha.
O RS é um dos maiores produtores do país, com previsões de safra que frequentemente superam as 20 milhões de toneladas, gerando alto impacto econômico. Noroeste, Norte gaúcho e fronteira Oeste são os locais onde estão concentradas as maiores plantações de soja.
A área plantada chega a quase 6,74 milhões de hectares. Além de também ser um ótimo alimento para o gado e estar na mesa das pessoas, contribui diretamente para a economia.
Boas práticas para o armazenamento da soja
Bom, como falamos, a soja é importante para a economia e para a alimentação do brasileiro. E para que a produção siga em alta, é importante que essa colheita seja bem armazenada.
Conforme estudo coordenado pelo professor Dr. Ricardo Tadeu Paraginski, do Instituto Federal Farroupilha, a estocagem de soja ainda é precária em muitas propriedades do Rio Grande do Sul. Os problemas nesse estágio levam a grãos ardidos, mofados, queimados e germinados.
Ou seja, há perda na qualidade da matéria-prima. Temperatura ambiente, umidade relativa do ar e teor de impurezas são os principais fatores de preocupação. Para avaliá-las, os pesquisadores colheram amostras do vegetal na cidade de Alegrete. Elas foram acondicionadas em sacos de polietileno e submetidas a diferentes condições de armazenamento.
Verificou-se que os grãos permaneceram dentro do padrão básico de comercialização por até 180 dias quando se mantinham com 12% de umidade. Se esse índice passou para 15%, o material resistia por 135 dias, mas, no período de seis meses, já se encontrava fora do padrão.
A temperatura mostrou-se como fator agravante. Quanto mais alta, pior para a massa de soja. No cenário de 15% de umidade e 35ºC, bastaram 90 dias para que as amostras fossem consideradas fora do padrão. Constatou-se presença de mofo, com bolor visível a olho nu.
Em resumo, o levantamento aponta a importância das boas práticas para melhorar a qualidade da soja armazenada, tais como:
- Controle rigoroso da umidade nos silos;
- Redução do teor de impurezas antes da estocagem;
- Uso de sistemas de aeração ou resfriamento artificial, mantendo a temperatura ambiente próxima a 15 °C.
Leia também: Limpeza de silos é fundamental no controle de pragas agrícolas
Resistência atual das pragas coloca a soja em risco
O aumento da resistência das pragas nas lavouras de soja pode representar quebras para o Rio Grande do Sul. Segundo reportagem publicada no jornal Zero Hora, a “perda da eficácia pelo uso contínuo de agroquímicos, na mesma lógica de antibióticos consumidos por humanos, é um dos principais desafios da agricultura brasileira.”
A matéria também aponta que tal cenário é resultado de práticas equivocadas do passado. Isso exige que os produtores aprimorem seu conhecimento, adotando o chamado manejo integrado de pragas.
Trata-se de um conjunto de métodos para evitar infestações. Quando se fala especificamente da soja, um dos grandes problemas é o percevejo-verde, que ataca as vagens ainda no campo. Já as traças e os carunchos representam risco aos grãos estocados.
Arroz: liderança nacional
Um alimento de grande importância nutricional, sendo uma das principais fontes de energia da alimentação humana, o arroz é rico em carboidratos complexos, fornecendo energia de forma gradual. Ele ajuda no bom funcionamento do organismo, sendo fundamental para a rotina de trabalho, estudo e atividades físicas.
Por ser um alimento importante no prato dos brasileiros, o arroz tem relevância nutricional e econômica. Segundo a Embrapa, o cultivo do arroz merece destaque porque é um dos grãos que mais contribui para o crescimento da economia do Brasil, com produção abundante e geração de empregos.
Mas quem trabalha com esse cultivo tem se deparado com obstáculos, como as pragas nas lavouras de arroz. Para isso, uma forma de tornar mais rentável o plantio é fazer o manejo integrado de pragas, prática que eleva a produtividade.
O Rio Grande do Sul lidera a produção de arroz no Brasil. Segundo o IBGE, mesmo com a enchente de maio de 2024, o estado produziu 7,16 milhões de toneladas, o que corresponde a em torno de 70% da produção nacional, segundo dados do IRGA (Instituto Rio Grandense do Arroz). Os principais municípios produtores de arroz em solo gaúcho são Uruguaiana, Itaqui, Santa Vitória do Palmar, Alegrete, Dom Pedrito, São Borja e Arroio Grande. Brasil afora, Santa Catarina e Mato Grosso também puxam essa frente produtiva.
Mas para chegar a resultados, os produtores precisam ter uma série de cuidados desde o campo até o armazenamento do cereal.

Cuidados para o manejo de pragas em arrozais
Por ser suscetível a diversos insetos fitófagos, que são aqueles que se nutrem de vegetais, o manejo do arroz exige cuidados. Essas pragas podem trazer dor de cabeça aos produtores, causando prejuízos em qualquer fase do cultivo – seja no plantio, durante a maturação da planta ou mesmo após a estocagem dos grãos já colhidos.
O manejo integrado de pragas no arroz deve considerar as particularidades de cada propriedade, como relevo, regime de chuvas e culturas vizinhas. Ocorre que essas são, também, alguns dos fatores que influenciam a qualidade do arroz.
Portanto, as técnicas necessárias para o manejo integrado de pragas devem ser avaliadas caso a caso. Elas envolvem aspectos relativos ao próprio cultivo, bem como ao controle mecânico, físico, biológico e químico das pragas.
Abaixo, listamos algumas recomendações. Esses e outros dados constam na Circular Técnica 44/2001, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
- Evite plantar arroz a menos de 500 metros de cana-de-açúcar, milho ou gramíneas hospedeiras de pragas;
- Mantenha o solo sem vegetação por um período entre 15 e 20 dias antes do plantio;
- Nivele o terreno, eliminando depressões do solo, para permitir uma lâmina d’água baixa e uniforme;
- Não plante arroz de forma escalonada na mesma área ou em territórios próximos;
- Remova plantas hospedeiras de pragas, tanto do campo quanto dos arredores;
- Utilize adubação equilibrada, sem excesso de nitrogênio;
- Deixe os quadros inundados o maior tempo possível;
- Não prepare o solo com grade em locais infestados por cupim rizófago;
- Utilize cultivares resistentes, de ciclo curto e com maior volume radicular;
- Colete plantas que contenham alta concentração de ovos para destruir as ninfas das pragas;
- Roce a vegetação infestada ou passe rolo compressor sobre ela;
- Utilize armadilha luminosa para atrair insetos;
- Preserve predadores naturais das pragas;
- Empregue inseticidas de modo preventivo ou curativo.
Controle de pragas no armazenamento de arroz
No armazenamento, a presença de insetos pode causar quebras de grãos e contaminação por ovos, fezes e insetos mortos, depreciando o valor comercial do arroz. O manejo integrado prevê o controle da umidade e da temperatura nos silos, com uso de sistemas de aeração.
Entre as principais pragas do arroz armazenado estão:
- Carunchos (Sitophilus oryzae e Sitophilus zeamais);
- Besouros, como Rhyzopertha dominica e Tribolium castaneum;
- Traças, como Sitotroga cerealella e Plodia interpunctella.
Esses insetos possuem alto potencial reprodutivo e podem se espalhar rapidamente pela massa estocada se não houver monitoramento adequado.
Veja mais: Carunchos e traças comprometem grãos estocados
Trigo
O trigo tem um papel fundamental na agricultura e na economia do Rio Grande do Sul. Hoje, essa é a terceira maior cultura em volume produzida no Estado. São produzidas mais de 5 milhões toneladas em 1,5 milhão de hectares, sendo que a cidade de Cruz Alta é a maior produtora.
Esse protagonismo da agricultura gaúcha reforça a relevância do trabalho dos produtores rurais, da pesquisa agrícola e das políticas de apoio ao campo, que garantem produtividade, qualidade e desenvolvimento para toda a cadeia do agronegócio.
Milho
O milho desempenha papel estratégico no sistema produtivo agrícola brasileiro e, em particular, no Rio Grande do Sul como cultura complementar — especialmente quando cultivado após a soja (safrinha). Essa combinação de culturas otimiza o uso da terra e do calendário agrícola, aumentando a eficiência produtiva e gerando maior retorno econômico para o produtor.
O RS produz cerca de 3.000.744 toneladas, sendo que São Luiz Gonzaga se destaca nessa produção. Porém, outras regiões do Estado, como as regiões de vales, também têm uma produção abundante. Até por isso, é usado também como ração animal por pequenos e médio produtores.
Proteja sua produção através do expurgo de grãos
A técnica da fumigação é bastante utilizada e eficaz e tem como benefício a preservação de grãos armazenados, aumentando sua vida útil. É um tratamento de defesa que ajuda a manter padrões ideais sanitários.
A fumigação (ou expurgo dos grãos), geralmente é feita com produtos químicos em forma de gás para eliminar pragas em áreas fechadas, como silos, armazéns e contêineres, evitando a entrada de insetos nesses espaços fechados. A Embrapa indica a fumigação com fosfina, que pode ser aplicada durante o enchimento do silo, no momento da transilagem ou com sondas.
Saiba mais: Tudo sobre o gás fosfina, inimigo nº1 das pragas de grãos
Limpeza de silos também é fundamental
A limpeza de silos é outro procedimento essencial para proteger a colheita e deve ser feito quando o silo está vazio, incluindo todos os espaços do equipamento, como corredores, passarelas e moegas.
O procedimento deve ser realizado por uma equipe qualificada para garantir a segurança e a eficácia do local de trabalho e armazenagem. Preferencialmente, os profissionais devem estar habilitados com as NRs 31, 33 e 35, referentes a saúde e segurança do trabalho na agricultura, capacidade em trabalhos em espaço confinado e em altura, respectivamente.
Desafios e oportunidades do agronegócio no Rio Grande do Sul
O agronegócio gaúcho enfrenta desafios relevantes, especialmente relacionados às variações climáticas, como secas prolongadas e eventos extremos de chuva, que impactam diretamente a produção. Somam-se a isso os custos de insumos, a logística de escoamento e as oscilações do mercado internacional.
Por outro lado, há oportunidades claras na adoção de tecnologias, no manejo integrado de pragas, na melhoria do armazenamento e na diversificação produtiva. Investir em planejamento, qualificação técnica e prevenção é o caminho para fortalecer a competitividade do setor.
O Rio Grande do Sul segue como protagonista do agronegócio brasileiro — e quem aposta em boas práticas colhe resultados mais seguros, sustentáveis e rentáveis ao longo do tempo.
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